Tatiana Fávaro / Correio Popular
A
Griaule, empresa especializada em soluções para reconhecimento
automático de impressões digitais, recebeu, em julho, a certificação do
Federal Bureau of Investigation (FBI) para um de seus softwares.
Desenvolvido para atender órgãos de segurança pública, o programa
Griaule AFIS pode ser utilizado tanto para investigações criminais
quanto para cadastro civil.
O software pode, por exemplo, gerar uma lista
de suspeitos de um crime a partir de uma digital
latente (parte da impressão digital encontrada
nas investigações criminais), cuja imagem é inserida
no programa e comparada a um banco de dados, como
os existentes nas secretarias de segurança pública
dos Estados brasileiros. “Para reconhecer
uma impressão digital a partir dessa digital latente,
é preciso que o banco de dados seja digitalizado”,
ressalta Iron Daher, proprietário da empresa instalada
no Centro de Tecnologia da Universidade Estadual
de Campinas (Unicamp).
O
reconhecimento da Polícia Federal dos Estados Unidos abre
possibilidades de a Griaule emplacar seus produtos no mercado
internacional. “Já estamos com projetos de exportação para setores de
passaportes da América Central e do Oriente Médio”, afirma Daher.
Registro Civil O
AFIS já é usado pela Secretaria de Segurança Pública de Tocantins, que
possui um banco de dados com cerca de 1 milhão de impressões digitais.
Segundo Daher, cerca de 100 mil cédulas de identidade em papel foram
digitalizadas, fazendo agora parte dos dados armazenados pelo programa.
Além disso, novas identidades já são feitas a partir do sistema AFIS.
Assim, as impressões são automaticamente cadastradas.
O custo
do AFIS é de R$ 10 por pessoa cadastrada. “Esse é o valor do software,
sem contar gastos que o órgão vai ter com hardware, serviço e
comunicação.” Segundo Daher, a Polícia Federal brasileira adquiriu,
na França, tecnologia semelhante, por US$ 39 milhões. “Isso estará
acoplado a um banco com 5 milhões de pessoas cadastradas. Se tivesse
optado pela tecnologia desenvolvida aqui no Brasil, a PF teria gastado
menos e teria qualidade equivalente”, assegura o empresário.
Se
fossem cadastrar todas as impressões digitais do Estado de São Paulo,
exemplifica ele, haveria cerca de 360 milhões digitais (dez dedos de
cada um dos 36 milhões de habitantes a serem cadastrados). A R$ 10 por
pessoa, o sistema de reconhecimento custaria R$ 36 milhões para o
Estado. O programa está sendo utilizado em três unidades do Poupa-Tempo
na capital paulista e outra, em Guarulhos.
A finalidade dos
produtos Griaule é, segundo Daher, ajudar a impedir fraudes,
identificando pessoas pela impressão digital. As aplicações incluem
cadastro civil e criminal unificados, gerenciamento de presídios,
emissão de carteiras de identidade e habilitação.
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