CENÁRIO XXI

Publicada em 11/10/2003

Empresa desenvolve sistema de identificação


Tatiana Fávaro / Correio Popular

A Griaule, empresa especializada em soluções para reconhecimento automático de impressões digitais, recebeu, em julho, a certificação do Federal Bureau of Investigation (FBI) para um de seus softwares. Desenvolvido para atender órgãos de segurança pública, o programa Griaule AFIS pode ser utilizado tanto para investigações criminais quanto para cadastro civil.
O software pode, por exemplo, gerar uma lista de suspeitos de um crime a partir de uma digital latente (parte da impressão digital encontrada nas investigações criminais), cuja imagem é inserida no programa e comparada a um banco de dados, como os existentes nas secretarias de segurança pública dos Estados brasileiros. “Para reconhecer uma impressão digital a partir dessa digital latente, é preciso que o banco de dados seja digitalizado”, ressalta Iron Daher, proprietário da empresa instalada no Centro de Tecnologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O reconhecimento da Polícia Federal dos Estados Unidos abre possibilidades de a Griaule emplacar seus produtos no mercado internacional. “Já estamos com projetos de exportação para setores de passaportes da América Central e do Oriente Médio”, afirma Daher.

Registro Civil
O AFIS já é usado pela Secretaria de Segurança Pública de Tocantins, que possui um banco de dados com cerca de 1 milhão de impressões digitais. Segundo Daher, cerca de 100 mil cédulas de identidade em papel foram digitalizadas, fazendo agora parte dos dados armazenados pelo programa. Além disso, novas identidades já são feitas a partir do sistema AFIS. Assim, as impressões são automaticamente cadastradas.

O custo do AFIS é de R$ 10 por pessoa cadastrada. “Esse é o valor do software, sem contar gastos que o órgão vai ter com hardware, serviço e comunicação.”
Segundo Daher, a Polícia Federal brasileira adquiriu, na França, tecnologia semelhante, por US$ 39 milhões. “Isso estará acoplado a um banco com 5 milhões de pessoas cadastradas. Se tivesse optado pela tecnologia desenvolvida aqui no Brasil, a PF teria gastado menos e teria qualidade equivalente”, assegura o empresário.

Se fossem cadastrar todas as impressões digitais do Estado de São Paulo, exemplifica ele, haveria cerca de 360 milhões digitais (dez dedos de cada um dos 36 milhões de habitantes a serem cadastrados). A R$ 10 por pessoa, o sistema de reconhecimento custaria R$ 36 milhões para o Estado. O programa está sendo utilizado em três unidades do Poupa-Tempo na capital paulista e outra, em Guarulhos.

A finalidade dos produtos Griaule é, segundo Daher, ajudar a impedir fraudes, identificando pessoas pela impressão digital. As aplicações incluem cadastro civil e criminal unificados, gerenciamento de presídios, emissão de carteiras de identidade e habilitação.

CPFL
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